quinta-feira - 13 de dezembro de 2007
Verdades inconvenientes ditas
em Bali: o mundo está preparado para ouvir?

Além dos EUA, Japão e Canadá tumultuam as negociações. Enquanto isso, União Européia e países não integrantes do Anexo I insistem em balizar as metas futuras de redução de emissões, entre 25% a 40% em relação a 2000.
Por Daniela Stump*
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Arquivo ABTCP |
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O ex-vice presidente americano veio à Bali, diretamente de Oslo, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz compartilhado com o IPCC, para aclarar as negociações diplomáticas e dizer que ainda é possível alterar os resultados da CoP-13.
Al Gore pronunciou com todas as letras que os Estados Unidos estão bloqueando as negociações, mas que os outros países têm plena capacidade de desenhar o caminho para a assinatura de tratado com novas metas em Copenhagen, na CoP-15, em 2009.
Com palavras duras, deu uma lição de moral aos seus compatriotas e comparou a visão míope que os EUA hoje têm em relação ao período pós-Segunda Guerra, em que Marshall lançou plano visionário de recuperação da Europa para implementar o progresso.
Gore ainda afirmou que não há hoje presidente no mundo capaz de tratar da relação radical necessária entre seres humanos e o sistema ecológico.
Durante seu discurso, assistido por cerca de mil pessoas, entre elas os delegados de países, Organizações não-Governamentais (ONG) e ministros de Estado, Gore tocou em temas fundamentais para o Brasil. Disse ser necessário acordo sobre transferência de tecnologia e financiamento para o desenvolvimento limpo de países não-Anexo I, bem como planos para reduzir o desmatamento.
A realidade é que estamos no penúltimo dia da conferência em que se previa lançamento de mapa do caminho para acordo pós-2012, sem consenso sobre os temas que devem ser trilhados.
Além dos EUA, o Japão e Canadá têm tumultuado as negociações, enquanto a União Européia e países
não-Anexo I têm insistido em balizar a decisão dentro de metas futuras variando entre 25% e 40% em relação ao ano de referência de 2000.
O Brasil, de sua parte, anunciou, por meio de discurso do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havido ontem na plenária do alto segmento ministerial, que o país está pronto para implementar políticas e programas para reduzir emissões de forma mensurável, verificável e sujeita a periódicas averiguações.
Ademais, o ministro ressaltou que o Brasil tem feito seu dever de casa, reduzindo o desmatamento e usando o etanol em substituição à gasolina, o que teria evitado a emissão de 644 milhões de toneladas de CO2 à atmosfera nos últimos 30 anos.
Sobre esse assunto, Celso Amorim afirmou para os 189 países presentes que os maiores consumidores de energia têm colocado todos os tipos de barreira aos biocombustíveis produzidos nos países em desenvolvimento e gastando bilhões de dólares subsidiando produtores ineficientes, distorcendo o mercado.
Algumas verdades inconvenientes estão sendo ditas em Bali. Mas parece que o mundo ainda não está preparado para ouví-las...
* Daniela Stump é advogada associada ao Escritório Pinheiro Pedro Advogados e especialista em questões ligadas às mudanças climáticas e sua regulamentação.
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