OPINIÃO

INFORMATIVO DIGITAL DO ESCRITÓRIO PINHEIRO PEDRO ADVOGADOS
EDIÇÃO 03 - AGOSTO DE 2005

 

 

Os bons negócios estão verdes

 


 

O financiamento sócio-ambiental e o empreendedorismo sustentável – uma parceria para as presentes e futuras gerações.

Por Maria Aline Ladeira Rodrigues

A busca pelo meio ambiente ecologicamente equilibrado finalmente deixou de ser discurso para virar ação. A conduta ambiental ultrapassou os livros escolares para ocupar papel preponderante na sociedade, nas discussões do poder público em geral e, principalmente, nos meios de produção e de consumo.

Os empreendedores estão cada vez mais conscientes que não basta o cumprimento das exigências de ordem legal, mas, sim, que haja atitude pró-ativa na implementação de técnicas e tecnologias mais limpas, na reciclagem de resíduos gerados nos processos produtivos e no uso racional dos recursos oferecidos pela natureza.

De olho neste comportamento e ciente de sua responsabilidade sobre a concessão de empréstimos as atividades que envolvam passivos e danos ambientais, as instituições financeiras, públicas e privadas, assim como os organismos internacionais, perceberam ser um bom negócio estimular as boas práticas, aumentar a capacidade empreendedora sustentável e sua competitividade em âmbito interno e internacional, viabilizando financiamentos a custo menos elevado e com flexibilidade de prazos, tendo em vista a garantia de retorno sobre o investimento estar pautada na atuação responsável do tomador.

De fato, o financiamento verde virou uma nova categoria de negócios.

Prova disso, em decorrência da Declaração dos Bancos para o Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (1992), foi assinatura do Protocolo Verde (1995), que visa induzir bancos a incorporar o vetor ambiental no procedimento de análise para financiamentos como critério indispensável, assim como demonstrar aos órgãos e autarquias seus correspondentes benefícios fiscais. (clique aqui para ver o Quadro I)

Esta foi, em termos de política pública para o desenvolvimento sustentável, uma das mais importantes iniciativas adotadas pelo governo brasileiro, priorizando-se a alocação de recursos públicos em projetos que apresentem maior capacidade de auto-sustentabilidade sócio-ambiental, bem como evitando o uso destes recursos em projetos que acarretem significativos prejuízos ao meio ambiente.

No rastro destes bons ventos, é interessante lembrar dos inúmeros empreendimentos e projetos que buscaram substituir energias geradas por combustíveis fósseis, desenvolver MDL (mecanismo de desenvolvimento limpo), implementar o tratamento de resíduos, entre outras atitudes sustentáveis, tais como as descritas a seguir:

(i) Programa de incentivo às Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs) no Pantanal Mato-Grossense, criado em 24 de maio de 2005, prevê verba para manutenção e criação de RPPNs, incentivado-as por meio de isenção de ITR (Imposto territorial Rural) da área; estímulo às pesquisas científicas; preferência na análise de créditos agrícolas e recebimento do ICMS Ecológico pela Prefeitura;

(ii) Programa Biodiesel, lançado em dezembro de 2004, visando incentivar o plantio de mamona para produção de matriz energética mais limpa e renovável e alcançar a posição de liderança internacional, objetivando, ainda, a geração de 900 mil empregos, pelo investimento de R$ 16 milhões de reais.

(iii) Mercado de Carbono - produto do Protocolo de Quioto assinado na Conferência das Partes da Convenção sobre Mudança do Clima (1997), almeja reduzir 5,2% das emissões de gases causadores do “efeito estufa” entre os anos de 2008 e 2012, tendo como base os níveis avaliados no ano de 1990. Os investimentos para este mercado são obtidos, em sua maioria, junto ao Banco Mundial por meio de três fundos destinados a projetos de tecnologia limpa, com valores médios entre US$ 3 milhões e US$ 15 milhões, destacando-se o Fundo Protótipo de Carbono (Prototype Carbon Fund – PCF), composto por recursos de 6 países e de 17 grandes empresas multinacionais, sendo o Brasil um dos líderes em oferta.

Por outro lado, se as instituições financeiras alcançaram, por bem ou por mal, a tal consciência ecológica, a falta de uma melhor articulação entre estas e os órgãos de atuação ambiental dificulta sobremaneira a fixação de critérios para projetos populares prioritários, de menor custo, impedindo a sintonia necessária entre cronogramas de análise e desembolso dos recursos, conjugados aos prazos mínimos necessários para a concessão das licenças ambientais.

Desta forma, podemos até concordar que está valendo a pena ter preocupação ambiental. Os negócios realmente estão verdes, só nos resta fazer com que se tornem e permaneçam maduros...

 


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