Por um Pólo de Biotecnologia
e Nanotecnologia em Ribeirão Preto

 

Por Nivar Gobbi, Marcelo A. H. Penna* e Daniel M. Gobbi**

Podemos considerar que as Biotecnologias são uma fusão das Ciências Biológicas com Tecnologia de Ponta, destinadas a suprir quaisquer necessidades humanas, sejam médicas, sociais ou alimentares. Neste contexto, a engenharia genética é a grande aliada e parceira das biotecnologias, já que o conhecimento da constituição dos genes, bem como sua estrutura bioquímica, é necessário para que, se preciso, possam ser efetuadas as devidas alterações para se obter o produto ou serviço desejado.

A Biotecnologia movimenta bilhões de dólares em todo o mundo e deverá constituir-se em uma das maiores indústrias do terceiro milênio, pois, segundo a ONU, é indispensável para o desenvolvimento socioeconômico em nível mundial, uma vez que para o crescimento de Pólos de Biotecnologia, devem ser envolvidos o mercado, a comunidade científica e a sociedade local. Segundo a Dannemann, Siemsen, Bigler & Ipanema Moreira, 2,8% do PIB brasileiro está ligado ao mercado de biotecnologia hoje em dia.

Os economistas e as pessoas que acompanham esse desenvolvimento científico e tecnológico na área industrial acreditam que essa era, que produz o que temos nas fábricas de hoje, está chegando ao fim. A partir da biotecnologia, devemos entrar em uma nova era, a da "revolução biotecnológica e nanotecnológica”, o que propiciará quaisquer intervenções, sejam ambientais, médicas ou industriais, em níveis moleculares, que até então não passavam de mera ficção científica.

A Organização do Congresso Brasileiro de Legislação Ambiental, Bioética e Biodireito realizou, previamente à execução de seus eventos, uma prospecção de cidades com potencial para abrigar seus congressos bem como outras atividades relacionadas. A cidade de Ribeirão Preto foi eleita, não apenas pelos seus atrativos comerciais, turísticos, e intelectuais, mas também pelo seu potencial de abrigar indústrias de baixo impacto ambiental, com a mais alta tecnologia.

Dessa maneira, entendemos que a cidade de Ribeirão Preto está apta a se tornar um dos mais bem sucedidos Pólos de Biotecnologia e Nanotecnologia do país, uma vez que está próxima a recursos estratégicos e dispõe de recursos humanos invejáveis para sua consolidação. Além disso, a cidade também apresenta vocação para concentrar “Clusters” ou Arranjos Produtivos Locais (agrupamento de empresas do mesmo setor em uma determinada região) de fornecedores de insumos, componentes, equipamentos, serviços, e matérias primas. Essas APL´s podem aumentar a competitividade, o valor agregado e a inovação tecnológica, tanto regional quanto nacionalmente.

Embora seja mais conhecida por ser a capital do Agronegócio, a cidade concentra mais de 40.000 universitários de Graduação e Pós-Graduação, de todas as áreas do conhecimento, com ênfase nas áreas de Medicina, Farmácia e Ciências Biológicas, o que torna inequívoca sua vocação para a Biotecnologia e Nanotecnologia, bem como sua capacidade para transformar os conhecimentos científicos em geração de emprego e renda. Podemos citar como exemplos imediatos a possibilidade inerente de implantação de empresas de baixo impacto ambiental, voltadas para as áreas de diagnósticos, fármacos, fitoterápicos, biomateriais, agronegócios e veterinária, além de instituições privadas de pesquisa e desenvolvimento.

No entanto, para que esse potencial se torne realidade, são necessários esforços conjuntos dos diversos segmentos da sociedade, no sentido de organizar um Bureau dedicado à captação de recursos, coordenação da estrutura espacial e logística, viabilização política de uma estratégia para o estabelecimento do pólo a curto e médio prazo, bem como à oferta dos serviços gerados.

* Departamento de Ecologia – UNESP/Rio Claro e Centro de Estudos Ambientais da UNESP

** Advogado em Ribeirão Preto, associado ao Pinheiro Pedro Advogados