Aberta a temporada de caça a Projetos de MDL
 

Por Daniela Stump

Os empresários brasileiros já identificaram a grande oportunidade de investimentos proporcionada pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), criado pelo Protocolo de Quioto. Ao lado da Índia e da China, o Brasil é um dos maiores beneficiários deste novo mercado. Estimativas avaliam a renda dirigida ao Brasil em pelo menos 450 milhões de dólares até 2012, fim da primeira etapa do compromisso.

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, desenvolvido a partir de uma proposta brasileira, tem suas raízes remotas na assinatura da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), em maio de 1992, em Nova York. Como resposta à constatação dos cientistas quanto ao aumento da temperatura no planeta, devido à intensificação do efeito estufa, essa convenção obriga os países a realizar esforços no sentido de estabilizar as concentrações de gases efeito estufa, impedindo os reflexos nocivos ao clima global.

Ao longo dos anos que sucederam a assinatura da Convenção sobre Mudanças Climáticas, suas disposições foram aperfeiçoadas por reuniões periódicas das Partes. O Protocolo de Quioto é fruto da Conferência das Partes ocorrida em 1997 e buscou dar maior efetividade ao objetivo da Convenção, ao quantificar as obrigações às quais os países signatários se submeteram em 1992. Nesta reunião, foi decidido que os países signatários deveriam, conjuntamente, reduzir 5,2% das emissões de gases de efeito estufa ocorridas no ano de 1990, dentro do período de compromisso de 2008 a 2012. É importante ressaltar que apenas os países desenvolvidos e aqueles “em transição” para uma economia de mercado são obrigados a reduzir suas emissões, devido a sua significativa colaboração para o cenário climático atual. Essa idéia se consubstancia no princípio, adotado pela Convenção, da responsabilidade comum, porém diferenciada.

Após oito anos de sua conclusão, o Protocolo de Quioto finalmente entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005, após a ratificação de 55 países, responsáveis por 55% das emissões de gases efeito estufa no globo em 1990.

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), inserido pelo protocolo, foi elaborado como uma forma de ajudar os países comprometidos em reduzir suas emissões de gases de efeito estufa a atingirem suas metas. O MDL proporciona a esses países, denominados países do Anexo I, a faculdade de se valerem de reduções de gases de efeito estufa realizadas nos territórios de países que não são obrigados a diminuir seus índices, dentre eles o Brasil.

Assim, os países do Anexo I investem em projetos ambientalmente sustentáveis, que reduzam emissões de gases de efeito estufa em troca dos certificados que as atestam, somando-se estes às reduções alcançadas em seus próprios territórios.

Essas reduções certificadas tendem a se valorizar, a medida em que se aproxima o ano de verificação do cumprimento das metas de redução, já que o preço das RCEs (Reduções Certificadas de Emissões) oscila ao sabor da oferta e demanda. Assim, está aberta a temporada de caça a projetos que se enquadrem nos moldes do Protocolo de Quioto e estejam dispostos a receber investimentos estrangeiros.

Alguém se habilita?