Os incentivos agora são
às micro-destilarias de álcool
 

Por Fabrício Dorado Soler

         A expedição de Martim Afonso de Souza, datada de 1532, com a missão de combater os traficantes franceses, procurar metais preciosos e estabelecer núcleos de povoamento no litoral brasileiro, tem importância histórica para um dos principais produtos agrícolas do Brasil. Na referida missão colonizadora foram trazidas para o Brasil as primeiras mudas de cana-de-açúcar, que rapidamente se espalharam em solo pátrio, em decorrência de sua fertilidade e do clima tropical quente e úmido.

         Transcorrido o ápice do açúcar durante a época colonial e seu posterior declínio com surgimento do açúcar de beterraba (século XVIII) que se encerrou apenas no final do século XIX, foi registrada na Crise de 1929, a mais profunda recessão econômica mundial, que drasticamente atingiu o desempenho dos preços agrícolas internacionais, fazendo despencar no embalo da depressão econômica, os produtos sucroalcooleiros do Brasil.

         O renascimento do brilhantismo brasileiro no cenário internacional do agronegócio ocorreu com a implementação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) durante o governo do General Ernesto Geisel. O Proálcool objetivou conter gastos com a importação de petróleo, onerada com o galopante aumento do preço do barril durante a segunda Crise do Petróleo. É uma iniciativa genuinamente brasileira de produção de energia alternativa em larga escala, com consumo do álcool combustível e a mistura “blend” com a gasolina.

         O que se observa é que políticas públicas estão estreitamente relacionadas com o setor sucroalcooleiro, o que transformaram o Brasil no maior produtor e exportador de açúcar e álcool do mundo, com destacada tradição e experiência neste ramo de atividade. Neste sentido, os financiamentos foram instrumentos decisivos para cativar interessados neste segmento econômico, fomentando da abertura de micro-destilarias à revitalização de usinas sucateadas.

         O fomento ao setor sucroalcooleiro recebeu significativo apoio, no Estado de São Paulo, com a edição da Lei Estadual nº 11.879/05, que cria a Política Estadual de Incentivo às Micro-destilarias de Álcool e Beneficiamento de Produtos Derivados da Cana-de-Açúcar, a qual prevê desde o aproveitamento da vinhaça para fertilização do solo até a utilização do bagaço da cana para produção de eletricidade.

         Trata-se de uma política pública de desenvolvimento socioeconômico regional, integrada e sustentável, voltada para a geração de emprego e renda, com marcante característica de incentivar prioritariamente as micro-destilarias, assim consideradas as unidades destiladoras com capacidade de produção de até 10.000 (dez mil) litros por dia e instaladas em pequenas e médias propriedades.

         O objetivo da política paulista é estimular a produção do álcool combustível para auto-abastecimento, do açúcar mascavo, da rapadura e de outros produtos derivados da cana-de-açúcar e oferecer alternativas econômicas nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, por intermédio da criação de instrumentos como crédito rural, pesquisa agropecuária e tecnológica, assistência técnica, promoção e comercialização dos produtos, bem como a criação de um certificado de origem e qualidade dos produtos colocados à comercialização.
Em resumo, a Política de Incentivo às Micro-destilarias de Álcool e Beneficiamento de Produtos Derivados da Cana-de-Açúcar visa contribuir para o incremento da produção agrícola no campo dos agronegócios familiares, propiciando sua inserção na cadeia produtiva sucroalcooleira, gerando, em conseqüência, mais renda e empregos direcionados à exploração de pequenas e médias propriedades.

         Na mesma direção da Política Pública paulista está o Projeto de Lei nº 1398/03, do deputado federal Lobbe Neto, estabelecendo critérios para produção e comercialização de álcool pelas pequenas unidades produtoras. O destaque deste Projeto de Lei, atento aos constantes benefícios ao setor, é a disponibilização de linhas de crédito específicas para financiamento de projetos e instalações de microdestilarias.