“O Verde do Brasil e o Perigo Amarelo”
 

Antonio Fernando Pinheiro Pedro
     
      Deu no New York Times (20/11): “Na curva do poderoso Rio Xingu, o governo está pressionando para que se construa uma represa a qual poderá tornar-se a segunda maior geradora de energia elétrica do mundo. No entanto, os principais beneficiários não serão os habitantes do território nacional, e sim um país situado do outro lado do planeta, a China. Isto porque, em plena fase do capitalismo selvagem, o Estado chinês articula sua participação na exploração mineral na região amazônica, tendo por alvos o alumínio, o níquel e o cobre. O processamento desses materiais requer enorme quantidade de energia elétrica e o governo Lula da Silva, que pretende formar o que denomina “aliança estratégica” com a China, está ávido para realizar essa tarefa”.

      Chega às raias da irresponsabilidade para com os interesses ocidentais ter o Brasil reconhecido o Estado Chinês como “economia de mercado”, obrigando-se a manter relações comerciais, em tese recíprocas, com um sistema econômico totalmente injusto, estatizado e profundamente predador, e que tem atrás de si bilhões de habitantes formando um enorme exército de reserva de mão-de-obra capaz de organizar “dumping” em cada esquina do planeta (social, ambiental e econômico).

      Preocupa-nos que uma atitude como a denunciada pelo New York Times comprometa definitivamente a sustentabilidade ambiental da economia amazônica brasileira, cujos danos até o momento sofridos pela falta de planejamento ambiental da região feriram de morte, ou transformaram em piada, o discurso “natureba” da persistente Ministra Marina Silva.

      As ações do empresariado nacional, das pessoas que se preocupam com a coisa pública, dos democratas que sobrevivem em nosso território e do capital internacional consolidado em bases ocidentais, urgem se conjugar para o enfrentamento ao que podemos chamar de perigo amarelo, cuja voracidade tem feito letra morta a sustentabilidade ambiental do povo da China e pretende, pelo visto, matar de vez o verde brasileiro.

      Permaneçamos alerta frente a esses acontecimentos...