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Por Cássio Felippo Amaral
Às margens do Rio Tamanduateí, no local hoje chamado de Parque Dom Pedro II, foi construído, no séc. XIX, um casarão em pilão de taipa, para abrigar uma chácara.
Em 1860, o casarão foi ocupado pelo Seminário das Educandas e, anos depois, pelo Hospício dos Alienados. Em 1871, lá faleceu o poeta de Santo Amaro, Paulo Eiró, aos 36 anos de idade.
Em 1930, o prédio foi entregue à antiga Força Pública, mas, com a Revolução de 1964, passou a ser ocupado pelo Exército Brasileiro, primeiro como sede da 7ª Cia. de Guardas e, depois, do 2º Batalhão de Guardas (2º BG), reunindo cerca de 1000 homens, até abril de 1992.
Por mais de duas décadas, o casarão, encravado entre a Avenida do Estado e a Avenida Dom Pedro II, foi a morada dos Soldados “Cara de Leão”, apelido conferido aos militares do 2º Batalhão de Guardas, por conta da figura que compunha o distintivo da Unidade, o Leão, considerado o melhor animal de guarda existente na Natureza.

“Detalhe do casarão demonstra o descaso do Poder Público”
Em 1992, o 2º BG mudou-se para sua nova sede, localizada em Osasco-SP, deixando o velho casarão, que passou às mãos do Estado de São Paulo, representado pelo 3º Batalhão de Choque da Polícia Militar, que lá instalou uma de suas companhias.
Porém, apesar de a Polícia Militar Bandeirante manter, até hoje, uma seção de restauro de viaturas no pátio do casarão, é fato que o prédio está inabitável, tomado de cupins e com a ferrugem, pouco a pouco, corroendo suas estruturas.
Sem verba para este tipo de manutenção – na verdade restauração de patrimônio histórico – a Corporação de Tobias de Aguiar não tem conseguido vencer a ação do tempo, e, por conta disso, vemos, dia a dia, nossa antiga morada militar se dissolvendo aos poucos, tal como aconteceu com célebre mansão de propriedade da família Mattarazzo, na Avenida Paulista.
Infelizmente, se permitirmos que o Poder Público, por seus órgãos de patrimônio histórico, se omita quanto à adoção de providências urgentes para o restauro e manutenção do Casarão do Parque Dom Pedro II, ficaremos, mais uma vez, sem importantíssimo patrimônio, que contém a quase totalidade da história do extinto 2º Batalhão de Guardas – tropa de elite do Comando Militar do Sudeste – e representa, no mínimo, um século e meio da História de nosso País. |