“Dazibao” é uma expressão chinesa; significa jornal mural afixado na rua. Os chineses fizeram muito uso dos dazibaos durante a revolução cultural e nas lutas pela democratização, contra o regime comunista.

A cruel política dos direitos humanos

 

Por Cássio Felippo Amaral

    Fomos surpreendidos por uma onda de violência sem precedentes na história do Estado de São Paulo. Isto aconteceu, segundo algumas versões, devido à transferência de chefes do crime organizado em São Paulo para outros presídios, com o objetivo de se evitar mais uma mega-rebelião. Segundo outras versões divulgadas pela mídia, teriam ocorrido tais ataques por conta do veto estatal contra a entrada de televisores que serviriam para os presos assistirem aos jogos da Copa do Mundo.

    Bem, por um motivo ou por outro, o fato é que a criminalidade impôs “toque de recolher” na capital do mais rico Estado da Federação. Esta pífia situação deixou São Paulo, na prática, tomado por uma horda de criminosos muito bem instruídos e direcionados pelos chefes do crime organizado, os tais líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital).

    Diversos ataques a postos policiais, companhias da Polícia Militar, delegacias, carros de polícia e aos próprios agentes foram vistos durante todo um final de semana. Desfechando os ataques de forma audaciosa, marginais incendiaram ônibus e metralharam uma estação do metrô, impedindo a população de se deslocar pela capital paulista.

    A fria contabilidade de toda esta carnificina já conhecemos: 45 pessoas de bem morreram, sendo 23 policiais militares, sete policiais civis, oito agentes penitenciários, três guardas municipais e quatro civis.

Rodrigo Hashimoto/Flickr

Policiais acompanham enterro de colega morto pelo PCC


    Ou seja, entre os dias 12 e 15 de maio de 2006, a criminalidade ceifou sem cerimônia as vidas de trabalhadores honestos e policiais em serviço, sem qualquer motivo ou fundamento, se é que se pode admitir motivação justa para ações criminosas.

    A reação à tamanha barbárie foi justamente uma série de ações policiais que visou a perseguição, prisão, e na hipótese de forte resistência, neutralização dos criminosos envolvidos nos ataques, bem como daqueles que de uma forma ou de outra auxiliaram na preparação e execução das ações criminosas.

    Tão absurdo quanto o massacre de policiais neste reality show de horrores é o fato de a Secretaria de Segurança Pública afirmar que seu serviço de inteligência já sabia dos ataques que vinham sendo planejados com muita antecedência, mas deixou para avisar seus comandados –policiais militares e civis– apenas na noite de sexta-feira, 12 de maio, quando os ataques já estavam em andamento. Se, de fato, a Secretaria de Segurança Pública já dispunha desta informação, quem, por obrigação, não alertou a corporação deve ser punido, já que sua negligência resultou no maior massacre de policiais que se tem notícia na história recente do país.

    A reação de alguns segmentos ligados aos movimentos de direitos humanos e de parte da sociedade civil contra as violentas mortes dos policiais não aconteceu como se esperava. Ao invés de apoiarem as ações policiais que lograram êxito em retirar do seio social perigosíssimos marginais que aterrorizavam a população, o que exigem, agora, é a investigação cabal de todas as ações policiais contra o crime organizado, para que se apurem “eventuais excessos”, a ponto de cobrarem dos órgãos de Segurança Pública relatórios detalhados de todas as ações policiais.

    E então fica a pergunta: alguém ligado aos direitos humanos irá exigir investigações rigorosas sobre as ações de criminosos que cruelmente assassinaram policiais e pessoas inocentes?

    Parece-nos que não. Ao que tudo indica, mais uma vez os bandidos serão os “coitadinhos”, as “vítimas” da sociedade, enquanto os policiais continuarão, injustamente, sendo chamados de vilões, carrascos, algozes dos pobres bandidinhos. Que inversão de valores!

    A propósito, nenhum dos chamados “representantes” dos direitos humanos foi visto no enterro de algum policial covardemente assassinado pela marginalidade. Nenhum familiar dos policiais recebeu sequer palavra de consolo dos que se auto-intitulam defensores dos direitos humanos. Chega de violência. Chega de espertalhões oportunistas que colocam no mesmo balaio criminosos assassinos e policiais cumpridores de seus deveres.