“Dazibao” é uma expressão chinesa; significa jornal mural afixado na rua. Os chineses fizeram muito uso dos dazibaos durante a revolução cultural e nas lutas pela democratização, contra o regime comunista.

 
Enchentes: de quem é a culpa?

Por Cássio Felippo Amaral

Nos últimos dias, temos sido surpreendidos por fortes pancadas de chuvas, se é que assim podemos chamar as torrentes de água que vêm caindo sobre várias cidades do país, principalmente em São Paulo, onde os prejuízos são milionários e as vidas perdidas, inestimáveis.

Como é sabido, o problema das chuvas de final e início de ano não é assunto novo, da mesma forma que as enchentes, alagamentos, quedas de encostas e, em conseqüência, aumento das doenças decorrentes das enxurradas.

Entretanto, o problema pode ser antigo, mas até hoje está sem solução. E, então, vem a pergunta: quem é responsável pelas enchentes, enfim, pelos diversos e graves problemas decorrentes das chuvas que castigam São Paulo entre novembro e fevereiro?

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Lixo trazido das ruas pela chuva se acumula no trecho paulistano do Tietê

Dizem, uns, que a responsabilidade é da prefeitura, que não faz a correta limpeza das galerias, dos leitos dos rios e córregos e, atualmente, dos “piscinões”. Dizem, outros, que a culpa é da própria população, que joga lixo nas ruas sem a menor preocupação, o qual invade áreas de proteção aos mananciais, sobretudo locais em que, anteriormente, serviam como várzeas para espalhamento das águas das chuvas e gradativa absorção pelo solo.

Na verdade, uns e outros estão certos e, ao mesmo tempo, errados.

Se, de um lado, a Prefeitura de São Paulo não consegue dar conta da enorme quantidade de lixo depositada nas galerias de águas pluviais e, incrivelmente, nos leitos dos rios e córregos, bastando, para tanto, verificar que o leito do Rio Tietê, que acaba de passar por imensa obra de saneamento, parecendo mais um rio de plástico, tamanha a quantidade de garrafas PET boiando em suas águas, é de bem se ver, de outro, que os investimentos para obras contra enchentes, de um modo geral, têm sido muito tímidos, perto das inúmeras dificuldades que os paulistanos enfrentam a cada vez que começa a chover na cidade.

Ao mesmo tempo em que o Poder Público Municipal legisla para que os cidadãos paulistanos tenham, em suas propriedades, áreas que não podem ser edificadas, para que as águas das chuvas possam ser absorvidas pelo solo, ou mesmo, dependendo da área do terreno, sejam construídas as chamadas “piscininhas”, a exemplo de como funcionam os “piscinões”, vemos a população crescendo desordenadamente, desrespeitando as áreas de preservação permanente e de proteção aos mananciais, impermeabilizando locais que deveriam servir como absorventes das águas.

Assim, população e Poder Público devem trabalhar conjuntamente para que sejam adotadas soluções imediatas, com vistas a reduzir as enchentes na cidade, bem como pôr em prática o Plano Diretor Ambiental, obrigação prevista no Estatuto das Cidades e que, até agora, não existe, de fato, nem no papel.

Será que teremos de esperar quantos verões mais, quantas enchentes mais, para que toda a sociedade e o Poder Público tomem consciência da gravidade que é uma enchente e, afinal, resolver, de vez, o problema? É esperar para ver.