“Dazibao” é uma expressão chinesa; significa jornal mural afixado na rua. Os chineses fizeram muito uso dos dazibaos durante a revolução cultural e nas lutas pela democratização, contra o regime comunista.

 
O apagão do lixo

Por Daniela Stump

O Aterro Sanitário Bandeirantes iniciou suas atividades em 1979 e recebe diariamente sete mil toneladas de resíduos sólidos. Ao lado do São João, que recebe fraternalmente a mesma quantidade diária, os dois aterros suportam todo o lixo da cidade de São Paulo, segunda maior metrópole do mundo.

Depois de mais de 25 anos de funcionamento, o Aterro Bandeirantes encontra-se esgotado e prestes a fechar as portas. A sua condição atual de funcionamento é deficiente, respaldada por licenças ambientais precárias, renovadas incessantemente, sem cumprimento das exigências ambientais feitas pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

A população moradora do entorno sofre com o constante risco de desabamento, odores insuportáveis e profunda contaminação do solo, comprometendo seriamente a qualidade de suas vidas. Ademais, desde 1993, o funcionamento caótico do Aterro Bandeirantes é investigado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, o que confirma seu longo histórico de irregularidades ambientais.

Em que pese o patente esgotamento do Aterro Bandeirantes, a prefeitura paulistana insiste em mantê-lo em funcionamento, para não investir na correta destinação dos resíduos da cidade de São Paulo, em prejuízo da saúde e bem-estar daqueles que convivem dia-a-dia com a sua atividade insustentável.

Diante da situação calamitosa do Aterro Bandeirantes, ignorada pelas autoridades públicas e pela Concessionária Loga, a quem cumpre zelar pelo serviço adequado de depósito de lixo e pela qualidade do meio ambiente, somente restou à população carente moradora do entorno o exercício legítimo de protestar contra a manutenção do funcionamento do aterro.

Assim, desde o dia 12 de outubro de 2006, data prevista para o fechamento do aterro, anunciado em audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo, realizada em 28 de junho daquele ano, os manifestantes se viram obrigados a acampar ao lado da entrada do aterro, visando chamar a atenção das autoridades para o problema do lixo na cidade de São Paulo, resguardados pela garantia constitucional de liberdade de expressão e manifestação.

Embora já se vão muitos anos de promessas de encerramento do maior aterro sanitário do planeta, a população do entorno vê uma luz no fim do túnel. Técnicos contratados pela própria concessionária constataram, em parecer entregue à Cetesb no início deste ano, que o final da vida útil do Aterro Bandeirantes se dará em março de 2007.

Para a eficiente coleta de lixo de nós, cidadãos, e para a restauração da qualidade de vida dos moradores de Perus, é preciso que fiquemos alertas para que se cumpra a previsão de encerramento do Aterro Bandeirantes e seja implantada nova alternativa para o depósito de lixo em São Paulo.

Certo é que, se nada for feito pelo Poder Público, depois do apagão da energia e do apagão aéreo, teremos o apagão do lixo!