“Dazibao” é uma expressão chinesa; significa jornal mural afixado na rua. Os chineses fizeram muito uso dos dazibaos durante a revolução cultural e nas lutas pela democratização, contra o regime comunista.

 
Fernando Almeida lança obra sobre sustentabilidade na Amcham

Em reunião do Comitê de Meio Ambiente da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Fernando Almeida, presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), palestrou sobre seu novo livro “Os Desafios da Sustentabilidade – Uma Ruptura Urgente“, pela editora Campus Elsevier. O encontro foi coordenado pelo presidente do comitê, Antonio Lombardi, gerente de Produtos Socioambientais do Banco ABN Amro Real, e pelo vice-presidente Antonio Fernando Pinheiro Pedro, sócio-diretor do escritório Pinheiro Pedro.

Fotos Adriane Fonseca/Vacom
Segundo Almeida, 67% dos serviços ambientais estão degradados

Para Fernando Almeida, a sustentabilidade só pode ser alcançada com serviços ambientais de qualidade e ações em favor do bem-estar humano. De acordo com dados apresentados pelo autor, 67% dos serviços ambientais em todo o mundo já estão degradados, o que garantirá um legado mais complexo às próximas gerações.

O livro de Almeida mostra um panorama sobre a situação do mundo nas próximas décadas, traçando um comparativo entre a adoção e a ausência de medidas sustentáveis. Para o autor, que considera a estimativa de nove bilhões de habitantes no mundo em 2050, a questão da energia será fundamental. “Sem energia sequer se educa a população. E qualquer que seja o cenário mundial, mais próspero ou menos próspero, a quantidade de energia necessária será muito grande”, afirmou.

Entre soluções possíveis para se alcançar a sustentabilidade, Almeida propõe a troca das atuais fontes de geração de calor e energia. O uso de energia solar, eólica, energia das ondas e marés e energia geotérmica no lugar da queima de combustíveis fósseis poderá reduzir as emissões de gás carbônico em até 40%, segundo o autor. O setor de transportes demandará a produção de veículos de alta eficiência energética, já que, de acordo com Almeida, serão quase dois bilhões em circulação até 2025. No setor de habitações, os chamados “edifícios com energia zero” serão a tendência para o mercado.

A extinção de espécies da fauna e da flora, que já está em processo acelerado de acordo com o livro de Fernando Almeida, deverá aumentar até dez vezes no futuro. O autor aborda uma “zona de domínio de atração”, um ponto-limite até o qual a intervenção humana pode influir em determinado ecossistema sem alterá-lo completamente. “Estamos ultrapassando esta zona e entrando em degradação”, disse.

Antonio Lombardi (presidente da Amcham), Fernando Almeida (CEBDS), e Pinheiro Pedro (vice-presidente da Amcham)

Para o presidente do CEBDS, as empresas têm papel fundamental na busca pelo desenvolvimento sustentável, por serem líderes e terem iniciativa, embora 57% delas ainda vejam o meio ambiente de forma negativa, contra 11% de visão positiva. Almeida entende que empresas globais têm um papel maior a desempenhar no enfrentamento de grandes desafios ambientais e sociais. “Na verdade, não existe empresa sustentável, e, sim, sociedade sustentável. O setor empresarial é o que vai liderar a mudança, mas não vai fazê-la sozinho”, afirmou.

Fernando Almeida disse que a ruptura dos processos produtivos, sociais e econômicos será necessária, por meio de planejamento ou imposta por tragédias. A fim de planejar a ruptura e recriação dos processos no meio empresarial, ele sugere em seu livro que parte do lucro seja revertida para a sobrevivência humana, com o reinvestimento de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) no controle de emissão de gases de efeito estufa. “Se as 22 nações mais ricas transferissem 0,6% de seu PIB, 1,1 bilhão de miseráveis teriam melhores condições de vida”, exemplificou Almeida, que também é autor do livro “O Bom Negócio da Sustentabilidade”, lançado pela editora Nova Fronteira, em 2002.

Para o palestrante, a liderança para a sobrevivência é uma causa à procura de líderes, que não existem atualmente. Almeida cunha a expressão “estadista corporativo”, um líder tanto social quanto corporativo, com visão e energia necessárias para catalisar as mudanças necessárias. Segundo Fernando Almeida, precisamos de “um Gandhi da sustentabilidade, um Martin Luther King do aquecimento global ou um Nelson Mandela da biodiversidade”.

“Não estou passando uma visão derrotista. Ainda há tempo, mas na minha opinião, não muito. A responsabilidade civil, especialmente dos mais esclarecidos, deve operar a ruptura planejada no caminho da sobrevivência das empresas, da sociedade e dos recursos naturais”, concluiu o autor.

Finalizando a reunião, Pinheiro Pedro disse que os ecossistemas político e humano também se alteram e sofrem fadigas, e exemplificou ao falar da atual crise dos poderes representativos, crises de comunidades e da explosão de conflitos de interesses difusos.

Pinheiro Pedro propôs ainda ao comitê a criação de um “Programa de Ruptura Criativa” na Amcham, reservando espaço para debates sobre mudanças em função da sustentabilidade. “Mais à frente, não teremos mais um comitê de meio ambiente, e sim de sustentabilidade”, afirmou o advogado.