“Dazibao” é uma expressão chinesa; significa jornal mural afixado na rua. Os chineses fizeram muito uso dos dazibaos durante a revolução cultural e nas lutas pela democratização, contra o regime comunista.

 

 

Terça-feira - 09 de dezembro de 2008

Quem vai pagar a conta?

  Arquivo ABTCP
  Dra. Daniela Stump
   
Em estimativa feita pela Secretaria da Convenção do Clima, 86% dos investimentos necessários para deter o aquecimento global deverão vir do setor privado.

Não é por outro motivo que, em paralelo às reuniões oficiais, aconteceu hoje, aqui em Poznan, o Global Business Day, organizado pelo World Business Council of Sustainable Development e pela International Chamber of Commerce.

Empresários do mundo todo apresentaram suas visões sobre os desafios para a transição a uma economia de baixo carbono, capaz de responder às demandas globais de crescimento, que, atualmente, envolvem padrões insustentáveis de consumo e utilização de energia.

A mensagem do setor privado para os negociadores é simples: que definam, com urgência, regras claras para o planejamento a médio e longo prazos dos investimentos privados, assegurando previsibilidade e estabilidade ao mercado.

Assim como já havia sido falado no evento de ontem, da associação de empresas Copenhagen Climate Council, espera-se que o acordo global, a ser concluído em 2009, compreenda: o fortalecimento do mercado de carbono, permitindo que as reduções de emissões sejam feitas ao menor custo possível; o incentivo a inovações tecnológicas e uso de energia renovável; e a inclusão de todos os países e setores, com o respeito a suas capacidades diferenciadas de responder aos desafios impostos.

Em meio aos debates do Global Business Day, a representante da Federação de Indústrias Alemãs chegou a defender a viabilidade de redução de 30% das emissões na Alemanha até 2020, que vai além das metas européias propostas na COP-14 (de 20%, até 2020).

Todos têm pressa…

Abordagem setorial

Na comunidade empresarial, a expressão do momento parece ser mesmo “abordagem setorial”. Deve ser porque, embora tenha um sentido bem definido no Plano de Ação de Bali, relativo à cooperaçao tecnológica, o termo pode servir a todos os discursos, inclusive ao brasileiro.

A posição oficial brasileira aceita a abordagem setorial para separar as políticas florestais das industriais, para a definição de metas de mitigação dos países desenvolvidos. A Europa e o Japão, por outro lado, defendem a abordagem setorial para deter as exportações do gigante chinês, por meio do limite máximo de emissão de CO2 e por tonelada de produtos.

Embora alguns setores industriais, como o de cimento, já tenham propostas bastante avançadas, conforme demonstrado em evento paralelo do Cement Sustainability Initiative, que divulgou a elaboração de benchmarking do setor, as discussões estão apenas no início e, por enquanto, parecem não ter alcançado as mesas de negociações….

Cenas dos próximos capítulos

O Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, estará por aqui no final desta semana e seu pronunciamento parece ser, ao menos, midiático. Já virou tradição nas COPs de mudanças climáticas: a comissão negociadora passa a primeira semana e a metade da segunda tentando mostrar ao mundo uma visão harmônica da posição brasileira, mas nos dois últimos dias da conferência, a pluralidade brasileira sempre fala mais alto… é acompanhar para ver!

* As opiniões aqui apresentadas são pessoais e não refletem, necessariamente, as posições da Delegação Oficial Brasileira

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