Por Daniela Stump
Os países que participam da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, no Quênia, ignoraram completamente o pedido do secretário-executivo da convenção, Yvo de Boer, para que houvesse um esforço concentrado para fechar acordos que inibam a emissão de poluentes.
Depois de um dia inteiro de debates, nada de positivo ficou acertado para que os países desenvolvidos aceitem um compromisso de redução de emissões pós-2012, quando termina o Protocolo de Quioto.
A única medida acertada, se é que é possível falar assim, foi postergar para 2007 as discussões, sem, no entanto, estabelecer prazo para as conclusões, o que significa dizer que a diplomacia mundial vai continuar cozinhando o galo do aquecimento global até que os países desenvolvidos tenham uma posição mais clara sobre qual índice de redução devem buscar.
Outro impasse em curso diz respeito à inclusão de países em desenvolvimento no Anexo 1 (que reúne os países desenvolvidos). Os desenvolvidos querem que Brasil, China e Índia assumam compromisso de diminuir suas emissões. Já a diplomacia brasileira não vê com bons olhos esta proposta. O que o Brasil defende é sua permanência fora do Anexo 1 e, em contrapartida, assumiria metas voluntárias (não obrigatórias) para diminuir o desmatamento.
Hoje, por conta das queimadas e desmatamentos, o Brasil é um dos maiores geradores mundiais de gases de efeito estufa.
Com essa falta de definições, o mercado mundial de carbono pode sofrer um revés, já que o setor de energia, maior investidor desse mercado, ficará inseguro para financiar projetos de longa duração.
No mais, declarações de diplomatas de que o encontro de hoje “avançou” e que o diálogo foi “enriquecedor” beiram o risível.
A advogada Daniela Stump, do escritório Pinheiro Pedro Advogados, integra a delegação oficial brasileira na COP-12 e MOP-2, como associada da Câmara de Comércio Internacional. |